Você faz o seu melhor?

Diego Krüger
Jornalista

O que é prosperidade para você? Dinheiro, sucesso, viagens no final do ano, um carro novo? O que te faz feliz? Uma conta bancária recheada, carnes nobres no churrasco de domingo, um final de semana num spa? Claro que sim, é natural que tudo isso nos represente felicidade e prosperidade, mas será que é só isso?

Aonde que está escrito que é errado ser próspero? Se você, por acaso, interpretou isso na Bíblia, chegou a hora de rever seus conceitos em relação a dinheiro, por exemplo. Ser rico não é e nunca foi pecado. O que é errado – e as Escrituras estão repletas de exemplos – é ter um coração soberbo, avarento, que coloca riquezas e “pseudo prosperidade” em primeiro plano, que não ajuda o próximo. Por exemplo: você já doou uma blusa que seja para alguém, que sofre com essa onda forte de frio? Às vezes passa mesmo despercebidas essas pequenas ações que engrandecem quem somos e coloca nossos valores no lugar certo: no amor ao próximo.

Esqueça teologia da prosperidade dentro da igreja. Isso não funciona. É uma maneira de barganhar com Deus tudo o que ele já nos deu, desde a fundação do mundo. É uma maneira lamentável de alienação emocional por meio do medo, da troca e da obediência a um evangelho que não existe, logo, idolatria por cultuar algo vazio. Pense que já somos herdeiros do ouro e da prata, e o que te afasta disso? Não é o que você faz para ganhar, mas o que você faz para perder todas as verdadeiras riquezas que o Senhor já nos concedeu.

Uma das questões mais marcantes da não prosperidade na Bíblia fala justamente de pobreza. Parece até lógico dentro de uma visão simplista, mas quando buscamos o contexto onde pobreza aparece nas Escrituras, ela sempre vem acompanhada de algo voltado a improdutividade, seja física ou espiritual. A própria origem da palavra “pobreza” nos remete o que ela realmente significa: “a palavra “pobre” veio do latim “pauper” ou “paucus” (pouco) e pário (dar à luz – como mulheres que geram filhos, por isso ligado à produzir) e originalmente referia-se a terrenos agrícolas ou gado que não produziam o desejado.

Logo, todo aquele que não produz pode ser entendido como pobre e não tão somente quem não tem dinheiro ou prosperidade. Veja o caso de herdeiros muito jovens, que gastam a vida aproveitando do legado material de sua família e acabam na miséria, uma vez que não produziram, apenas consumiram o que lhe foi dado. Jesus é muito claro nos relatos de João 12:8 – “Quanto aos pobres, vós sempre os tereis convosco” – ao se referir a Maria fazendo algo para o Senhor, enquanto Judas o questiona se não seria melhor vender o nardo puro e dar o dinheiro para os pobres. Os improdutivos sempre existirão, por isso é melhor ensinar-lhes um ofício do que dar esmolas deliberadamente, não que isso não deva ser feito de maneira sincera, mas a verdadeira maneira de acabar com a improdutividade, ou pobreza, é tornando o sujeito produtivo.

Prosperidade, portanto, está muito mais ligado ao que você produz, seja no seu trabalho, em casa e na igreja, do que simplesmente os bens que você tem, e na maneira que você lida com isso. Ser próspero é se manter em movimento, emocional, física e espiritualmente.

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Luiz Carlos da Cruz

Jornalista desde 1998 com reportagens publicadas em grandes jornais do Brasil, como a Folha de S. Paulo e Gazeta do Povo. Teve passagens pelos jornais Gazeta do Paraná, O Paraná e Hoje, onde foi editor-chefe, além do portal CGN e Rádio Independência. Fundador dos jornais Boas Notícias e Boa Noite!

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