Vereadores entregam farta documentação sobre irregularidades na educação

Trabalho de investigação conduzida pelo vereador Celso Dal Molin fez levantamento de compras em escolas municipais que seriam “dirigidas” entre 2013 e 2016
Os vereadores Celso Dal Molin, Paulo Porto, Policial Madril e Alécio Espínola entregaram ao prefeito Leonaldo Paranhos, na manhã de hoje (20), o resultado de uma investigação sobre compras realizadas por escolas municipais entre 2013 e 2016. Segundo a documentação, já entregue ao Ministério Público, os vereadores fiscalizaram cerca de 40 empresas que prestaram serviços ou realizaram vendas de materiais de construção, informática e livraria às escolas. A investigação apontou que pelo 16 empresas atuavam através de conluio e 12 empresas que “não existem”, apesar de apresentarem o CNPJ para “participarem” da concorrência.
“Recebemos com tristeza essa documentação, mas parabenizamos o trabalho do Legislativo porque a missão vem sendo cumprida. Lamentavelmente temos tido, desde o começo do ano a descoberta de uma série de problemas e desvios que aconteceram na Secretaria de Educação; problema no transporte, no uniforme escolar e estas questões todas que nos apresentam agora e ainda a questão das metalurgias e temos trazido tudo de forma transparente”, disse o prefeito Paranhos ao receber a documentação dos vereadores.
O prefeito determinou a imediata adoção das medidas pela Secretaria de Administração para levantar toda a situação apresentada pelos vereadores. Paranhos reafirmou aos vereadores a determinação repassada à secretária Marcia Baldini (Educação) “para liberar todas as informações e é importante essa ação da Câmara de Vereadores, até para não ficar, diante da população que existe uma perseguição do Executivo à administração passada”.
De acordo com  Paranhos, “a administração está aberta e qualquer cidadão pode fazer denuncias sobre qualquer ato de irresponsabilidade da administração passada ou da nossa porque já estamos aqui há um ano e a Câmara tem total liberdade de trazer toda as informações e denúncias porque graças a esse trabalho tivemos condições de fazer investimentos cortando desperdícios e combatendo a corrupção”.
Para o prefeito “esta é exatamente a ação que deve ser feita: abrir e revelar à imprensa e à população e buscar justiça para aqueles que desviaram dinheiro da Prefeitura e da população. São medidas que estamos tomando todos os dias. É preciso continuar com a transparência, não apenas dos atos da administração passada, mas também da nossa administração. A Câmara e a população têm toda liberdade de denunciar porque é o momento de resgatar a credibilidade junto a população”.
Questionado sobre a possibilidade de “barrar” estas empresas de participarem de licitações e realizarem vendas ao Município, o prefeito afirmou que sendo comprovada a corrupção, não apenas o CNPJ da empresa entra na ‘lista negra’, como também o CPF dos proprietários para evitar “manobras”. Quanto aos servidores que poderiam estar envolvidos nas irregularidades, Paranhos afirmou que, “sendo comprovada as irregularidades e o envolvimento de servidores, serão adotadas as medidas adequadas para cada caso”.
Fiscalização permanente
O vereador Celso Dal Molin destacou que foram fiscalizados “apenas sete escolas de um total de 113 escolas e Cmeis”. No levantamento realizados pelos vereadores, segundo Dal Molin, foram encontrados “superfaturamentos de 30%, 40% e até 114%” de um total de mais de R$ 390 mil em recursos da Educação. “São R$ 120 mil a R$ 140 mil pagos a mais”, completou.  O vereador adiantou ainda que existem outras quatro investigações em andamento e que deverão ser apresentadas ao Executivo no início de janeiro.

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Luiz Carlos da Cruz

Jornalista desde 1998 com reportagens publicadas em grandes jornais do Brasil, como a Folha de S. Paulo e Gazeta do Povo. Teve passagens pelos jornais Gazeta do Paraná, O Paraná e Hoje, onde foi editor-chefe, além do portal CGN e Rádio Independência. Fundador dos jornais Boas Notícias e Boa Noite!

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