Unioeste contesta dados que apontam custo de R$ 15,7 mil ao mês por aluno

Polêmica envolve gastos das universidades do Paraná (Arquivo)

A Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), que tem sua reitoria em Cascavel, negou hoje que cada aluno custe mensalmente R$ 15.197,00 como apontou o Tribunal  de Contas do Estado (TCE-PR).

Em nota, a instituição de ensino superior classificou o valor divulgado como “totalmente irreal” e declarou que o custo médio mensal de cada aluno em 2016 foi de R$ 2.529,73 e em 2017 será de R$ 2.487,00 mensais.

A universidade conta atualmente com 12.250 alunos de graduação e pós-graduação presenciais. Segundo a nota, caso o custo mensal por aluno fosse de R$ 15,7 mil seriam aplicados mensalmente R$ 191,4 milhões ou R$ 2,9 bilhões ao ano.

Ainda de acordo com a universidade, os gastos da instituição no ano passado foi de R$ 352.177.489,94, valor que pode ser constatado no Portal de Transparência do Governo do Estado.

“Considerando que em dezembro de 2016 o número de alunos matriculados foi 10.919, devidamente publicado na página da Unioeste, o custo médio mensal de cada aluno da Unioeste em 2016 foi de R$ 2.529,73”, rebateu.

 

Auditoria

Ontem (27), o presidente do Tribunal de Contas, conselheiro Durval Amaral, assinou a Portaria n° 443/17, que institui a auditoria nas universidades estaduais do Paraná. A fiscalização vai analisar a legalidade dos atos de gestão e avaliar a transparência e a eficiência dos gastos na área de pessoal. O trabalho será iniciado na próxima segunda-feira (3 de julho) e o prazo final de entrega do relatório da auditoria é dia 19 de dezembro.

A auditoria foi motivada por informações levantadas na fiscalização rotineira do TCE-PR. Esse trabalho apontou que, nos últimos cinco anos, o valor dos gastos com pessoal das universidades praticamente dobrou, passando de R$ 1 bilhão, em 2012, para R$ 1,9 bilhão, em 2016. Também foram apuradas irregularidades na concessão de vantagens salariais e no provimento de cargos comissionados, na ocorrência de desvio de função de servidores e na falta de publicação de atos nos portais de transparência, inclusive o detalhamento das verbas de compõem a remuneração de servidores.

Metodologia

Na primeira fase, que deve se estender até a segunda quinzena de agosto, o trabalho será de planejamento e pesquisa nos documentos que compõem os atos de gestão das universidades. Dentre eles estão folhas de pagamento e atos de contratação de pessoal. Nesse período também serão elaborados os papéis de trabalho, documentos que vão orientar a ação dos auditores no trabalho em campo.

A segunda fase será o trabalho de campo dos auditores junto às áreas administrativas das universidades estaduais. Neste momento ocorrerá a checagem das informações obtidas na fase inicial. Na terceira e última fase, os documentos serão compatibilizados e será elaborado o relatório final da auditoria.

 

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Luiz Carlos da Cruz

Jornalista desde 1998 com reportagens publicadas em grandes jornais do Brasil, como a Folha de S. Paulo e Gazeta do Povo. Teve passagens pelos jornais Gazeta do Paraná, O Paraná e Hoje, onde foi editor-chefe, além do portal CGN e Rádio Independência. Fundador dos jornais Boas Notícias e Boa Noite!

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