Presas da Penitenciária Feminina do Paraná recebem coletores menstruais

Sustentabilidade e consciência ambiental. Estes dois temas amplamente debatidos na sociedade têm ganhado destaque também na Penitenciária Feminina do Paraná, localizada em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). A unidade recebeu, na tarde desta quinta-feira (22/10), 160 coletores menstruais do Projeto Igualdade Menstrual, os quais serão distribuídos para as presas da PFP.

“Há um tempo temos pensado nessa substituição dos absorventes comuns pelos meios alternativos, porém, esbarrávamos sempre em algumas questões. Nosso principal receio sempre foi quanto à questão da correta higienização das peças, para não haver ocorrência de infecções, por exemplo”, destacou a diretora da PFP, Alessandra Prado.

Após diversas pesquisas e conversas com especialistas, a equipe de saúde e a direção da unidade entenderam que a troca seria viável. “Nossa preocupação era com a impossibilidade de ferver os coletores dentro da carceragem, porém, já foi provado que a esterelização também ocorre se os materiais forem imersos em água fervente”, explicou vice-diretora da PFP, Juliana Heindyk Duarte.

Com isso, o Igualdade Menstrual, projeto que promove acesso a produtos de higiene menstrual a mulheres em situação vulnerável, dispôs-se a doar os produtos. “Chegamos à Penitenciária e encontramos um cenário bem diferente do que informou uma denúncia sobre precariedade menstrual no presídio. Fomos surpreendidas por tamanha boa vontade e dedicação”, destacou a  idealizadora e representante do projeto, Adriana Bukowski.

Serão feitos, ainda, outros repasses. “Essa foi a primeira entrega. No dia, os doadores ainda esclareceram eventuais dúvidas do pessoal da saúde da Penitenciária, para que todos estejam bem instruídos em relação ao uso, limpeza e manutenção dos coletores, para depois repassarem às presas”, contou Alessandra.

A troca deverá ocorrer de forma gradual e depende do interesse das internas. “A escolha precisa ser delas, não vamos impor nada. Elas serão instruídas pela equipe de saúde e conscientizadas quanto às vantagens e possíveis desvantagens do uso. Não esperamos uma adesão em massa, mas que muitas aceitem. Conforme a adesão e a necessidade, o número de coletores será reposto”, disse Juliana.

AGENTES – A vice-diretora da Penitenciária Feminina do Paraná destacou ainda que, em breve, o projeto também atenderá às servidoras lotadas na unidade penal. “É importante que as agentes conheçam e utilizem os coletores, até como forma de orientar as presas e para que possam trocar experiências, afinal o projeto trata de igualdade menstrual”, afirmou.

“O sentimento de gratidão é grande e a certeza de que quando estamos juntas, somos mais fortes fica ainda mais evidente. Nosso negócio é mudar o mundo um dia por vez, uma mulher por vez, um coletor por vez”, ressaltou Adriana.

SUSTENTABILIDE – Pesquisas apontam que uma mulher consome cerca de 240 absorventes comuns em um ano, montante que pode ser substituído por um único coletor menstrual. De acordo com as informações do fabricante, após o uso, é só esvaziá-lo e limpá-lo duas a três vezes por dia. Feito em silicone hipoalergênico, ele dura, em média, de dois a três anos, mas pode chegar a 10 dependendo da conservação e do uso.

Foto: Mariana Tanaka Savelli/Projeto Igualdade Menstrua

(Depen-PR)

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