Porto cumprimenta Hamilton Serighelli por acordo fechado entre MST e Araupel

O vereador Paulo Porto (PCdoB) ocupou a tribuna da Câmara de Cascavel durante a sessão ordinária de hoje (19) para comemorar um acordo que fundamentalmente pacifica as relações entre a Araupel e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), enquanto se aguarda a decisão judicial, que ainda está em trâmite. O vereador cumprimentou o Assessor Especial do Governo do Estado para Assuntos Agrários, Hamilton Serighelli, como responsável direto pelo acordo firmado. O documento, assinado por representantes do Governo do Estado, Araupel e MST impõe à empresa a necessidade do diálogo com os trabalhadores rurais como única forma pacífica e legal de superar o conflito agrário.

“Nesses tempos sombrios de ameaças às garantias constitucionais e de intolerância às populações mais vulneráveis, é fundamental comemorarmos nossas vitórias, por menores que sejam. E hoje gostaria de comemorar não uma pequena, mas uma grande vitória na questão fundiária do Paraná, que é o acordo de convivência pacifica entre a Empresa Araupel e o movimento dos trabalhadores rurais sem-terra, firmado neste último dia 26 de outubro”, disse o vereador.
Porto fez questão de lembrar que seu mandato tem compromisso com alguns temas regionais, em especial a luta contra a grilagem da empresa Araupel em Quedas do Iguaçu. “Todos sabem que seguidamente este mandato tem denunciado a Araupel como a maior grileira do Paraná, assim como tem acompanhado pari passu – isto é – simultaneamente – toda decorrência da luta do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – o MST – na regularização daquelas terras”, destacou.
O vereador reitera que a expectativa do mandato em relação a este conflito sempre foi a da legalidade e do diálogo, “em especial por entendermos que aquelas terras eram e são públicas, por isso passiveis de reforma agrária. E o tempo provou que estávamos certos!”.
O acordo, conforme o vereador, é resultado de uma luta histórica e impõe à Araupel a necessidade do diálogo com o movimento dos trabalhadores sem-terra para superar o conflito agrário em Quedas do Iguaçu. “Este acordo foi firmado junto ao Estado do Paraná por meio de seu Assessor Especial para Assuntos Agrários Hamilton Serighelli, no qual se celebra a convivência pacifica entre a Empresa e os agricultores sem-terra, no aguardo de decisão judicial que se encontra ainda em trâmite. Segundo este acordo, os signatários optam pelo diálogo em detrimento do conflito e da violência”.
Basicamente, o documento assinado pelo governo, empresa e trabalhadores rurais sem-terra, possui cinco pontos acordados que visam a retirada de madeira de forma pacifica por parte da Empresa Araupel e a permanência e o livre trânsito dos agricultores sem-terra em praticamente toda extensão da área em litígio.
Paulo Porto disse que agora a expectativa é que esse acordo “costurado” por Hamilton Serighelli, em Quedas do Iguaçu, seja um exemplo para o novo governo do Paraná, que se inicia em janeiro. “Fica a sincera expectativa de que o governador Ratinho siga na construção de uma paz no campo, tanto na questão agrária como na questão indígena, e que a paz não seja a pax romana, da violência e da imposição pela força, que não seja paz dos cemitérios, mas a paz dos direitos e das garantias constitucionais garantidas e preservadas”, reiterou.

SOLIDARIEDE AO POVO GUARANI

O vereador, que é professor e indigenista, também manifestou total solidariedade, durante o discurso na Câmara, à comunidade indígena Guarani de Taturi, no município de Guaíra, vítima de duas tragédias nos últimos dias. “Duas tragédias causadas pela intolerância e pelo ódio”, destacou.
Porto referiu-se ao atentado a tiros contra o jovem guarani Donecildo Agueiro, de apenas 21 anos, que foi baleado pelas costas no último dia 6 de novembro, um crime que até agora não obteve resposta das autoridades, com detenções ou indiciamentos e nem mesmo há suspeitos pelo crime.
O vereador lembrou que o quadro de intolerância e ódio se materializou inclusive nas instâncias públicas, quando, por ocasião do crime, alguns indígenas foram até a delegacia local registrar a ocorrência, “o que foi absurdamente negado pelos policiais de plantão”. O Boletim de Ocorrência só foi registrado posteriormente, apenas após a presença de servidora de FUNAI e a ameaça de denúncia ao Ministério Público. “Neste momento, Donecildo Agueiro se encontra internado no Hospital Regional de Toledo e segundo os médicos, está paraplégico”, informou o vereador.
Na mesma aldeia de Taturi, em Guaíra, os guarani viveram outra tragédia nesse fim de semana. “Na tarde de sábado, um adolescente de 15 anos tirou sua própria vida, se enforcou usando um lençol. Foi encontrado pelos pais. Segundo os amigos e familiares, isto é resultado direto da violência, do preconceito e das ameaças que os indígenas vêm sofrendo corriqueiramente em Guaira e Terra Roxa. Ameaças materializadas no atentado ao jovem Donecildo”.
“Enfim, que o diálogo prevaleça no Paraná e que neste novo governo o ódio não faça mais vítimas no campo”, encerrou.

Assessoria de Imprensa/ Vereador Paulo Porto

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