Por que nos tornamos insensíveis?

Por Luiz Carlos da Cruz

Não é apenas na esfera da internet que as pessoas estão insensíveis. Isso está ocorrendo conosco todos os dias, talvez impulsionado pelo ritmo frenético que a vida impôs a todos. Eu sou insensível, você é insensível, nós somos insensíveis… Às vezes tentamos disfarçar nossa insensibilidade em palavras, como a deste texto, por exemplo.

Quando somos tomados pela sensibilidade demonstrando amor, fraternidade e estendendo a mão ao próximo, nem sempre é uma atitude 100% voluntária, mas motivada por remorsos, quando deveria ser por compaixão. 

E assim correndo de um lado para o outro já não temos tempo para sorrir, amar, dizer um bom dia, expressar sentimentos que há em nós, mas que não somos capazes de transformá-los em ação ou palavras que edifiquem.

Nos últimos dias, por duas vezes atitudes mecânicas minhas me fizeram refletir sobre como estou agindo com as pessoas. Foi um recado da minha consciência sobre os meus atos. 

Ao entrar em uma loja de embalagens para comprar alguns sacos plásticos, um jovem sorridente veio em minha direção enquanto eu olhava a numeração das embalagens. Ele me ofereceu ajuda, mostrou os pacotes e direcionou a venda enquanto eu estava com os olhos fixos nas embalagens.

Quando saí do local, lembrei-me da atenção que o vendedor dispensou a mim e fui acusado pela minha consciência por não ter ao menos olhado para a face dele. Enquanto o rapaz falava eu continuava olhando às embalagens. Estamos tão apressados que não temos tempo para uma rápida conversa olho no olho. Precisamos deixar um pouco de lado o Face para nos dedicar ao “face to face”. 

Dois ou três dias depois precisei autenticar um documento no cartório e quando a atendente me chamou fui logo falando sobre o que eu precisava, mas interrompi a fala e pedi desculpas à simpática moça. 

Luiz Carlos da Cruz – Jornalista

– Eu deveria ao menos ter dito bom dia, moça. Desculpe-me, a correria do dia a dia nos deixa insensíveis e mal-educados – falei pra ela. 

– Que sábias palavras – respondeu a atendente com um sorriso contagiante. Apesar de a minha consciência ter me dado duas puxadas de orelha, percebo hoje que continuo o mesmo insensível de antes. Preciso mudar, sorrir mais, admirar mais flores, abraçar mais pessoas, ouvir mais, elogiar mais…

Não vamos perder tempo. Se você ama, diga que ama. Se você gosta, expresse seu sentimento em palavras. Se achou bonito, elogie. Às vezes nós até amamos de verdade, enxergamos as maravilhas, percebemos o quanto as pessoas são importantes em nossas vidas, mas ficamos calados. Isso reduz nossos sentimentos a nada. Sentimento não expressado em palavras, gestos e ações não deixa de ser uma forma de rejeição.

Vamos pensar nisto?

 

 

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Luiz Carlos da Cruz

Jornalista desde 1998 com reportagens publicadas em grandes jornais do Brasil, como a Folha de S. Paulo e Gazeta do Povo. Teve passagens pelos jornais Gazeta do Paraná, O Paraná e Hoje, onde foi editor-chefe, além do portal CGN e Rádio Independência. Fundador dos jornais Boas Notícias e Boa Noite!

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