Paulo Porto critica jornalista e questiona ter sido citado na CPI da Funai

Paulo Porto em discurso na Câmara (Flavio Ulsenheimer/ Assessoria CMC)

O vereador Paulo Porto (PCdoB) fez duras críticas à rádio CBN e consequentemente ao repórter Michel Souza que na semana passada fez uma matéria, segundo o vereador cascavelense, afirmando que ele teria sido citado no relatório final da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Funai (Fundação Nacional do Índio).

Indigenista, Porto tem histórico de defesa das comunidades indígenas do Paraná, mas afirma que não foi citado na CPI. Ele levou ao plenário da Câmara na manhã desta segunda-feira (26) as mais de 3 mil páginas da CPI e fez duras críticas ao material divulgado pela emissora de rádio. Ele afirma que o relatório não cita “lideranças políticas de Cascavel”, como afirmou a reportagem.

“Nesse caso caberia ao bom jornalismo – que como todos sabem não foi o caso do autor desta matéria – consultar as fontes oficiais. O que não estava difícil, bastava ser alfabetizado e ter alguma ética jornalística”, afirmou Porto.

Criada pela bancada ruralista no Congresso Nacional, a CPI criminaliza aliados da causa indígena e no seu relatório final indicia mais de 100 pessoas entre indígenas, antropólogos, missionários, servidores e gestores da FUNAI, professores e integrantes de ONGs (Organizações Não Governamentais). Do outro lado não há um único fazendeiro ou latifundiário indiciado, desnudando o caráter parcial das diligências.

A informação havia sido repassada ao repórter pelo deputado federal Evandro Roman, que integra a CPI. Porto questionou o fato de ter sido citado já que o relatório não faz menção ao Paraná, segundo noticiou  o jornal O Paraná, na edição de domingo (25).

Criada pela bancada ruralista no Congresso Nacional, a CPI criminaliza aliados da causa indígena e no seu relatório final indicia mais de 100 pessoas entre indígenas, antropólogos, missionários, servidores e gestores da FUNAI, professores e integrantes de ONGs (Organizações Não Governamentais). Do outro lado não há um único fazendeiro ou latifundiário indiciado, desnudando o caráter parcial das diligências.

Porto falou dos interesses do mercado agrícola em explorar as terras indígenas e quilombolas. “Não surpreende quando deputados federais que tiveram suas campanhas pagas pelo agronegócio se revezem publicamente em defesa da CPI e no ataque aos povos indígenas e seus aliados”.

O parlamentar ironizou os argumentos que as demarcações favorecem ONGs internacionais e de que haveria o interesse da criação de uma “nação guarani” no Oeste do Paraná, conforme afirmado na “reportagem” da rádio local. “Ao contrário de tudo isso: a terra indígena ao ser demarcada torna-se patrimônio da União. De duas uma: ou essas pessoas não leram a Constituição ou revela um profundo despreparo, mentindo de forma deliberada e revelando absoluta má fé”.

Outro lado

Em seu portal na internet, a emissora afiliada da rede CBN , informou que em nenhum momento o repórter Michel Souza afirmou o envolvimento do vereador. O mesmo conteúdo foi levado ao ar na manhã desta segunda-feira.”Apesar de afirmar categoricamente que existem nomes de Cascavel e região em meio a vasta documentação da CPI, o deputado [Evando Roman] afirma que não pode divulgar os nomes até o fim dos trabalhos. Segundo o parlamentar informou à emissora, o motivo é para não atrapalhar o processo de investigação e julgamento, já que todos os elementos colhidos pela comissão depois de analisadas pelo Ministério da Justiça, devem ser encaminhadas de volta a Comissão para o Ministério Público e a Polícia Federal para aí sim serem levados ou não a justiça em paralelo as ações no Congresso Nacional.

A CBN diz que acompanha o debate em torno do assunto desde o início do ano passado já que há um conflito entre indígenas e produtores rurais nos municípios de Terra Roxa e Guaíra. No texto publicado na internet, a CBN diz que “fontes que trabalham diretamente ligadas à CPI apontam que um dos nomes que aparecem na investigação, seria o do vereador Paulo Porto”.

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Luiz Carlos da Cruz

Jornalista desde 1998 com reportagens publicadas em grandes jornais do Brasil, como a Folha de S. Paulo e Gazeta do Povo. Teve passagens pelos jornais Gazeta do Paraná, O Paraná e Hoje, onde foi editor-chefe, além do portal CGN e Rádio Independência. Fundador dos jornais Boas Notícias e Boa Noite!

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