O homem que hipnotizou o Brasil

Por Luiz Carlos da Cruz

Acompanho as eleições presidenciais desde a redemocratização do Brasil, com a primeira eleição direta em 1989, após mais de duas décadas de ditadura militar. A campanha eleitoral daquele ano foi movida por paixão, pelo sonho da liberdade conquistada um ano antes após a promulgação da nova Constituição da República Federativa do Brasil pelo presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães. Naquela época não havia essa parafernália eletrônica que existe hoje, mas a disputa se polarizou entre Lula e Collor. Todos conhecem o desfecho final.

Quase 30 anos depois, uma nova campanha eleitoral, desta vez sem a mesma paixão da liberdade, pelo contrário, muitos defendem publicamente absurdos como tortura e morte daqueles que não se enquadrem como “pessoa de bem”.

Instigados pelo candidato Jair Bolsonaro (PSL), as redes sociais despertaram naquele eleitor calmo, tranqüilo e sereno uma postura diferente, com verbalização de palavras e frases de efeito agressivas contra qualquer pessoa que ouse a questionar os posicionamentos do presidenciável.

Essa postura é compreensível diante de um quadro de corrupção e desmandos que assolaram o Brasil nos últimos governos, principalmente aqueles comandados pelo PT. Esse desmando fez surgir o fenômeno Jair Bolsonaro, que se opõe a tudo isso e prega o fim da corrupção de forma radical.

Até pouco tempo desconhecido do grande público, Bolsonaro conseguiu hipnotizar uma nação com propostas superficiais, mas prometendo rigor contra bandidos e uma luta sem tréguas contra a corrupção. Bolsonaro deu voz e vez aos inconformados com tantos desmandos que ocorrem no País. De fato, ninguém aguenta mais tanta roubalheira.

É compreensível essa reação popular diante de tanto escárnio cometido pelos governo petistas, sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, que não por acaso está preso na superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Ele era o chefe do bando.

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Militantes pró-Bolsonaro são fiéis e dispostos a entrar em qualquer guerra para defendê-lo, contagiados pelos discursos inflamados do líder. Isso é interessante porque há uma esperança de mudanças radicais, mas ao mesmo temo há excessos de alguns militantes que enxergam comunistas por todos os lados. Se você discordar de alguma ideia do “Mito”, logo é taxado de comunista, petista, defensor de corrupto e de bandido… Isso é perigoso.

É praticamente certo que Bolsonaro será legitimado nas urnas como o 38º presidente da República Federativa do Brasil. Já declarei que sou eleitor dele – mesmo sem apoiar suas ideias votarei nele – mas tenho certo receio do que possa acontecer em seu governo com uma população inflamada por discursos rasos e, que muitas vezes, sugerem a violência.

O “Messias” virou uma espécie de religião e seus seguidores são capazes de qualquer coisa para defender o mestre de pessoas críticas, como eu, que questionam suas posturas.

Vamos torcer para que, após eleito, ele baixe o tom, consiga unificar e pacificar a nação, dividida por dois extremos perigosos. Eu acredito na nossa Nação e torço por um bom governo. Que Deus abençoe o Brasil.

Luiz Carlos da Cruz é jornalista e editor do Jornal Boa Noite! (luiz@jornalboanoite.com.br)

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Luiz Carlos da Cruz

Jornalista desde 1998 com reportagens publicadas em grandes jornais do Brasil, como a Folha de S. Paulo e Gazeta do Povo. Teve passagens pelos jornais Gazeta do Paraná, O Paraná e Hoje, onde foi editor-chefe, além do portal CGN e Rádio Independência. Fundador dos jornais Boas Notícias e Boa Noite!

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