Mesmo sem merecer

Diego Krüger
Jornalista

Meus olhos estão cansados do desalento desse deserto, Senhor. Ajuda-nos a ver, novamente as cores do mundo que o Senhor nos deu para governar. Pois vem de Tu, tudo. Desde o sangue que rasga a carne, da mais escondida célula, do mais intenso neurônio, à unha que cresce todos os dias, és tu Senhor quem determina se estaremos vivos no próximo despertar do relógio.

Minha mente está cansada, Senhor. Porque as informações que recebemos todos os dias apontam para um fim eminente de nossa raça. O fim de todas as raças, todos os credos. Daqueles que nem sabem o porquê vivem, aos estudiosos da lei, aos homens ditos “santos”, aos ditos “malditos”, aos ditos “miseráveis”, aos ditos “benditos”. Um sepulcro comum. Uma vala comum. Um buraco comum a toda espécie que será destruída por um vírus que não passa. Mas é o Senhor quem sabe o dia e a hora, se amanhecerá na aurora do nosso tempo, tão curto e efêmero, na eternidade que só Tu, Senhor, possui.

Minhas mãos estão cansadas, Senhor. Porque tudo tento segurar sozinho. Porque me faltam braços para abraçar o mundo. Em vão é minha luta em correr atrás do vento dos meus pensamentos que vão longe e atravessam o tempo, mesmo sabendo que és Tu, Senhor, o próprio tempo, o início e o fim, a eternidade, a profundidade, largura e altura do universo pequeno para o que és Tu, Senhor.

Ouve nossa oração, Senhor. Volta. Faz logo todos os cavaleiros aparecerem. Faz as igrejas desaparecerem. Arrebata os Seus, sendo gentios ou fariseus, sendo crentes ou ateus, conforme Sua vontade desejar. E se pelos séculos dos séculos os anjos cantam Sua glória, Senhor, queremos cantar também, mergulhados no rio de Sua glória, flutuando na memória do seu Espírito Santo. Mas volta logo, Senhor. Não deixe Seus escolhidos na agonia deste dia a dia, da apatia que vem tomando conta das noites frias, porque afastamos o Seu calor de perto de nós. Não deixa esfriar nosso coração, Pai, queremos ir além, ziguezaguear na imensidão azul de sua presença, de olhos fechados caindo sem medo no precipício de nossos pensamentos, como pena ao vento, levados por sua vontade, na misericórdia e bondade que ainda Tens por nós.

Até quando, Senhor, estaremos dados à face do mal enraizado em nossa carne cingida, dessa dor profunda feito ferida, nesse desalento que não parece passar? Ouve nossas orações Senhor, e dá o castigo merecido aos que merecem, e a salvação àqueles que prevalecem firmes neste oceano de tristeza. Acha em nós um coração adorador, Senhor, mesmo que não mereçamos nem mesmo um pingo do seu amor.

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Luiz Carlos da Cruz

Jornalista desde 1998 com reportagens publicadas em grandes jornais do Brasil, como a Folha de S. Paulo e Gazeta do Povo. Teve passagens pelos jornais Gazeta do Paraná, O Paraná e Hoje, onde foi editor-chefe, além do portal CGN e Rádio Independência. Fundador dos jornais Boas Notícias e Boa Noite!

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