Generosidade no reino de Deus

Hernandes Dias Lopes é pastor presbiteriano

A pandemia tornou nosso país mais endividado e muitos de nossos concidadãos mais pobres. A classe média foi achatada e as classes menos favorecidas amargam uma dura realidade de escassez. O desemprego é crescente. A renda ficou desidratada, enquanto as necessidades se multiplicam. Nessa conjuntura, o exercício da misericórdia é imperativo e a importância da generosidade é urgente. Destacamos, aqui algumas lições importantes:

Em primeiro lugar, no reino de Deus dar é ganhar (Pv 11.24a). “A quem dá liberalmente, ainda se lhe acrescenta mais e mais…”. Se você tem um valor e subtrai desse valor alguma parte, logicamente você fica com uma quantidade menor. Porém, quando você dá liberalmente ao necessitado, em vez de ficar com menos, seu montante torna-se ainda maior. Na verdade, quando você dá pão ao que tem fome, Deus multiplica a sua sementeira. O texto bíblico é categórico: “A alma generosa prosperará” (Pv 11.25). No reino de Deus você ganha o que dá e perde o que retém. Esse princípio deve ser aplicado na prática da generosidade. Precisamos traduzir nossa fé em práticas de amor. Precisamos converter nosso discurso em ação. A Bíblia diz: “Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta” (Tg 2.14-17). Ainda a Escritura diz: “Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade” (1Jo 3.17,18). O amor é altruísta. É centrado no outro e não no eu.

Em segundo lugar, no reino de Deus reter é perder (Pv 11.24b). “… ao que retém mais do que é justo, ser-lhe-á em pura perda”. Se dar liberalmente não é sinal de subtração, mas de adição e multiplicação, reter mais do que é justo é sinal evidente de subtração. Quem retém com usura o que deve repartir com generosidade, não tem lucro, mas perda. É sábio o conselho de Jim Elliot: “Não é tolo aquele que dá o que não pode reter, para ganhar o que não pode perder”. A Palavra de Deus nos diz: “Mais bem-aventurado é dar que receber” (At 20.35). Se receber é uma grande alegria, dar é uma alegria ainda maior. Quando os filhos Deus praticam boas obras, abrindo ao pobre seu coração e suas mãos, isso traz camaradagem cristã na terra e glorificação a Deus no céu.

Em terceiro lugar, no reino de Deus quem pratica o bem ao próximo faz bem a si mesmo (Pv 11.17). “O homem bondoso faz bem a si mesmo, mas o cruel a si mesmo se fere”. O único homem chamado de bom na Bíblia é Barnabé. Ele deu parte de seus bens para acudir os necessitados em Jerusalém. Ele investiu na vida de Paulo em Jerusalém e Antioquia e na vida de João Marcos, em Chipre. Quando fazemos o bem ao próximo, estamos fazendo o bem a nós mesmos. O bem que praticamos, retorna outra vez para nós. A Bíblia diz: “Certos de que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor” (Ef 6.8).

Em quarto lugar, no reino de Deus quem dá ao pobre empresta a Deus (Pv 19.17). “Quem se compadece do pobre, ao Senhor empresta, e este lhe paga o seu benefício”. Compadecer do pobre é acudi-lo em suas necessidades. É dar pão ao que tem fome. Esse ato de generosidade ao pobre na terra é como emprestar esses valores a Deus no céu. Deus não fica em débito com ninguém. O generoso recebe em troca, da parte do próprio Deus, alegria, livramento, proteção, conforto e saúde (Sl 41.1-3). Você tem sido generoso? A quem você tem ajudado nesse tempo de pandemia? É hora de agir! Abra o coração, o bolso e as mãos aos necessitados.

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Luiz Carlos da Cruz

Jornalista desde 1998 com reportagens publicadas em grandes jornais do Brasil, como a Folha de S. Paulo e Gazeta do Povo. Teve passagens pelos jornais Gazeta do Paraná, O Paraná e Hoje, onde foi editor-chefe, além do portal CGN e Rádio Independência. Fundador dos jornais Boas Notícias e Boa Noite!

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