Escola Quintino Bocaiuva: 50 anos de muita história

Quintino Bocaiuva foi um importante jornalista brasileiro e parece que presenteou a escola cascavelense que leva o seu nome com aquilo que um bom jornalista sempre gosta: inúmeras boas histórias! Histórias vividas por profissionais, alunos e familiares de alunos que passaram pela Escola Municipal Quintino Bocaiuva nestes 50 anos de funcionamento da unidade, desde que começou a atender na Capela São Francisco. Cada história, até então guardada no coração e na memória de cada um que conviveu dentro dos muros daquela escola. Porém, na última semana uma grata surpresa alcançou muitos ex-alunos e professores, com a criação de um grupo na rede social Facebook.

Movido pela vontade de rever rostos antigos e recordar boas lembranças, o ex-aluno Fernando Bernabé Ribeiro tomou a iniciativa de criar, no último dia 23, o grupo “Ex-alunos Colégio Quintino Bocaiuva Jardim Cataratas Cascavel PR” e para a surpresa dele próprio, em menos de uma semana já eram quase 1,5 mil membros compartilhando fotos, memórias e momentos vividos, como as gincanas, os desfiles da Fanfarra, as assinaturas no “Temido Livro Preto”, e até mesmo o salgadinho comprado pelo vão do muro.

Fernando, que atualmente é formado em Gestão Imobiliária e é o responsável pelo setor comercial e o marketing de uma empresa de financiamento de casas populares, estudou no Quintino Bocaiuva desde a pré-escola, de 1985 até 1996. Ele lembra de amizades do tempo de escola que mantém até os dias de hoje e até mesmo a rigidez de professores e diretores, da época em que estudou, foram pontos positivos na sua formação como ser humano. “A Escola Quintino Bocaiuva me ensinou muito sobre hierarquia, em obedecer os superiores, pois eu temia muito a Milla e as diretoras Luiza e depois a Valci, pois elas empunhavam muito respeito e autoridade. Porém, a Marilda, um doce de pessoa, sempre linda, bem humorada e conseguia tudo com todos os alunos através de um sorriso. Então acredito que isso de me submeter a autoridade e a forma mais atenciosa de algumas professoras e diretores me fizeram chegar onde estou hoje”, relembra.

Presente no grupo, Marilda Bianco, uma das ex-diretoras citadas por Fernando, conta que os depoimentos dos alunos, mesmo os relatos das broncas, ou lembranças de momentos mais difíceis, soaram pra ela como um belo presente de fim de carreira, já que atualmente ela está aposentada da Rede Municipal e atua somente no Estado. “Eu sou muito grata pelo chão daquela escola que formou o que eu sou. Os colegas de trabalho, cada um com seu jeito de ser, me ajudaram a construir quem eu sou hoje e os alunos, então, são meu maior e melhor presente que a minha carreira profissional pôde me dar”.

Foi na década de 80 que Marilda deixou a pequena cidade de Ibema e chegou a Cascavel para iniciar o curso de Pedagogia na antiga Fecivel, atualmente a Unioeste. Naquele período ela foi admitida pelo município e foi apresentada à Escola Municipal Quintino Bocaiuva, onde assumiu uma turma de 4ª série. Dali em diante a professora atuou como orientadora escolar, coordenadora e também como diretora, atuando também como pedagoga do Colégio Estadual Cataratas, quando este funcionava em dualidade administrativa com o Município. Ali viveu um período de muitos avanços e transformações no cenário da educação. “Eu sempre permaneci lá, porque era uma escola que eu gostava, uma realidade que eu ajudei a transformar de certa forma”, relembra a professora, que trabalhou a maior parta da vida profissional, enquanto servidora do município, na Escola Quintino, passando também pela Secretaria de Educação, pelo Ceacri, e, por último, na Escola Maria Neres.

Para Marilda, a movimentação gerada pelo grupo criado pelo Fernando foi uma grata surpresa. “Ele graciosamente me mandou o convite, mas eu não tinha a noção da dimensão que essa iniciativa chegaria, e chegou muito longe! Eu chorei muito, fiquei muito feliz e nostálgica, foi um turbilhão de emoções reviver as falas e no que eles colocam em relação ao meu trabalho”.

Quem também tem boas lembranças, não só do tempo em que atuou como professora e diretora, mas também enquanto aluna é a diretora da Escola Municipal Dulce Andrade Siqueira Cunha, Elisangela Zaniollo. “Foi na Escola Municipal Quintino Bocaiuva que tive a honra de iniciar minha carreira profissional. Nessa escola tive um excelente assessoramento, atenção, carinho. Muita parceria. Foram anos de dedicação. Participávamos com garra e determinação. Tínhamos entusiasmo. E esse entusiasmo era abstraído pelos alunos, gerando eventos inesquecíveis. Hoje com a criação do grupo tivemos a dimensão que todo o esforço foi recompensado. Nossa dedicação ficou marcada na lembrança de cada aluno. Hoje revivemos tudo isso, com boas risadas e afeto. Um acalento em dias tão difíceis. Dezoito anos na mesma instituição entre erros e acertos uma história de vida”, recorda a profissional, que atualmente empenha a mesma dedicação e planta boas memórias afetivas no coração de seus quase 1000 alunos na Escola Dulce Andrade.

Nestes 50 anos de existência da escola nem tudo foram flores e nem todas as lembranças são as mais felizes, mas cada recordação reforça o quanto a escola exerce um papel fundamental na formação das pessoas, tanto que outros grupos parecidos já foram criados nesta semana para compartilhar lembranças de outras escolas municipais. E as palavras da ex-diretora Marilda Bianco talvez resumam o sentimento dos ex-alunos e professores que um dia conviveram naquela escola. “Faria tudo de novo! Hoje quem sabe com mais experiência, mas se eu tivesse que ‘quintinar’ novamente eu ‘quintinaria’, porque sempre foi um prazer trabalhar lá!”.

(SECOM)

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