É preciso pedir desculpas ao “Vilão”

Por Luiz Carlos da Cruz

O sequestro da médica Tamires Gemelli da Silva Mignon, filha do prefeito de Laranjeiras do Sul, Berto Silva, teve um desfecho pra lá de surpreendente com a revelação de que um aparente pacato vigia bancário foi o mentor e liderou o arrebatamento da profissional no Rio Grande do Sul.

O amadorismo dos supostos criminosos se torna evidente quando o carro, registrado no nome do acusado é usado no crime. Pior: depois de o crime ter sido praticado o veículo foi abandonado. O planejamento estratégico do crime evidenciou o amadorismo.

A polícia gaúcha demorou quase uma semana para colocar as mãos nos amadores, neste caso, a demora levou em conta o planejamento policial para evitar um desfecho trágico do caso. A investigação policial, muitas vezes, leva a acusações de pessoas que estavam no local errado no momento errado, mas que não estão envolvidas no crime.

Este é o caso do taxista Wile Huf, conhecido em Cantagalo popularmente como “Vilão do Táxi” e que foi tachado pela polícia de sequestrador, o que não é verdade.

É preciso pedir desculpas ao Vilão pelo erro. Em primeiro lugar, o pedido de desculpas deve partir da própria polícia que levou a população a acreditar que ele estava envolvido em um crime repugnante.

Mas não é apenas a polícia que precisa se desculpar. A imprensa, e aqui o portal BOANOITE! faz uma mea-culpa por ter sido induzido ao erro ao divulgar a operação policial e incluir, baseado nas afirmações da polícia, que o popular taxista estava envolvido.

A população também precisa se desculpar pelo pré-julgamento e comentários sarcásticos em redes sociais. A apuração mais aprofundada da polícia revelou que o taxista não tinha nada a ver com o crime, estava apenas prestando serviços, sem saber, para criminosos. Os envolvidos no crime, estes sim, precisam ser responsabilizados e pagarem pelo ato que cometeram.

O Vilão, nunca foi vilão nessa história.

 

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Luiz Carlos da Cruz

Jornalista desde 1998 com reportagens publicadas em grandes jornais do Brasil, como a Folha de S. Paulo e Gazeta do Povo. Teve passagens pelos jornais Gazeta do Paraná, O Paraná e Hoje, onde foi editor-chefe, além do portal CGN e Rádio Independência. Fundador dos jornais Boas Notícias e Boa Noite!

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