Diplomata quer substituição de juiz e questiona suas decisões.

Entre os questionamentos está a sentença que obriga a apresentação de um novo
plano de recuperação judicial, mas com os sócios afastados

A recuperação judicial do Grupo Diplomata, que se transformou em uma espécie de queda de braço entre o empresário Afredo Kaefer e o

 

juiz Pedro Ivo Lins Moreira, da 1ª Vara Cível de Cascavel, teve mais um capítulo na tarde desta segundafeira (12). Pela segunda vez o grupo empresarial protocolou o afastamento do magistrado e questionou uma série de decisões tomadas por ele. Há pouco mais de dois meses, o STJ (Superior Tribunal de Justi- ça) anulou a sentença de Moreira que havia decretado a falência do grupo empresarial e determinou a sequência da recuperação judicial com a convocação de uma nova assembleia de credores. Na semana passada, o juiz determinou que Clarice Roman Kaefer, administradora do grupo, apresente um plano de recuperação judicial, mas manteve os sócios afastados das empresas que estão sendo administradas por um gestor judicial. Pela sentença, se o plano não for apresentado em dois meses há risco de uma nova decretação de falência. Segundo o documento protocolado, não há meios e recursos para a administradora apresentar um novo plano de recuperação judicial, já que está afastada das empresas desde 2014 e, neste período, houve alteração natural das condições econômicas, financeiras e patrimonial do grupo. Parcialidade A defesa do Grupo Diplomata alega ainda que o juiz “não tem a imparcialidade necessária para dar regular ‘prosseguimento ao feito’ e conduzir a recuperação judicial”. Para a defesa, o magistrado acabou contaminando o processo e com “injúrias, calú- nias e provas ilícitas”. “Boneco de palha” Ao transformar a recuperação judicial em falência, o juiz se referiu a administradora como “boneco de palha”. Para a defesa, por detrás do jargão está o preconceito à mulher. “Revelou-se tão grave quanto à discrimina- ção por raça, cor, etnia, religião, origem ou à condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência física”, diz a defesa. Os adjetivos usados pelo magistrado contra o empresário Alfredo Kaefer – chamado de indivíduo de má-fé, sujeito improbo, desleal, mal intencionado, predador e inescrupuloso – também foram questionados pela defesa. O Grupo Diplomata, que compreende mais de 20 empresas, requereu a suspensão do processo e a substituição imediata do juiz. Para a defesa, não há interesse do magistrado na recuperação judicial, mas na falência do grupo.

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