Dias melhores para sempres

Diego Krüger
Jornalista

Valmir morreu. Quando me deparei com a notícia, logo cedo no WhatsApp, parecia que não fazia sentido. Mas ele não estava se recuperando? Não tinha saído do perigo? Como assim morreu? No silêncio de uma manhã gelada de segunda-feira, minha garganta deu nó. Peito apertou. Vontade de chorar. Pensando como somos tal qual uma pena flutuando ao prazer do vento. Pensando como nos sentimos tão fortes e tão imponentes ao passo que somos tão fracos e tão impotentes frente à fragilidade da vida. Mais uma vítima da Covid-19. Meu amigo. Um bom amigo. Colega de profissão. Irmão.

E a vida segue como uma patrola esmagando e formatando a terra mole. O que deixamos para trás ao partir sem nos despedir? Perguntas sem respostas no whats, fotos sem curtir no Insta, recados não enviados a quem tanto sentimos saudades. Por que, Senhor? Nossas orações não funcionaram? Ou funcionaram de uma maneira a qual nunca iremos – humanos que somos – entender?

Não queria mesmo cair no lugar-comum das frases repetidas, dizendo que a vida é isso ou aquilo, que “se tivesse mais tempo, faria tudo diferente”, ou que “nos arrependemos daquilo que não fazemos”, etc, etc, etc. Clichês que sempre tentam preencher um vazio impreenchível na condição tão “carnal” que somos. Frases de efeito temporário, para tentar enevoar de esperanças, dias tristes quando nos deparamos com o nosso fim iminente. O fim é iminente. E isso não é um fatalismo exagerado, apesar de ser fato.

E no final disso tudo, o que nos consola? O que nos acalenta nos dias tão tristes, de meias-verdades ditas a quem deveria escutar verdades inteiras do que sentimos e pensamos? E silenciar quando alguém pede conversa, quer carinho e atenção? Qual silêncio te faz bem? O que nos consola, no final desta corrida de ratos, é sabermos que, como a fé que não precisa ser explicada, termos certeza que a nossa vida não é aqui. Vivemos para Cristo que nos chamou. E entre o começo e o fim dessa existência tão curta, quem nos ensina a suportar os dias ruins?

Ensina-nos então, Senhor, a contar nossos dias, como diz Sua Palavra, para que nosso coração alcance a Sabedoria, enquanto nossos olhos insistem em não olhar para a luz e se encher de uma alegria inexplicável que só mesmo o Senhor pode nos proporcionar. O alento do nosso fim iminente vem das Palavras da Sua Boca, Senhor, de salvação e de vida eterna. “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna, diz João 3:16. E mesmo que tudo desmorone, o Senhor continua nos amando de uma maneira que nunca entenderemos, por mais que nossa mente não alcance os planos que Deus tem para nós, mesmo que pelo caminho fiquem nossos bons amigos. Descanse em Paz Valmir Lopes, na Paz que excede todo o entendimento.

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Luiz Carlos da Cruz

Jornalista desde 1998 com reportagens publicadas em grandes jornais do Brasil, como a Folha de S. Paulo e Gazeta do Povo. Teve passagens pelos jornais Gazeta do Paraná, O Paraná e Hoje, onde foi editor-chefe, além do portal CGN e Rádio Independência. Fundador dos jornais Boas Notícias e Boa Noite!

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