Cascavel sedia 3º Curso de Endometriose Intestinal em 2018

Em meio a tantas discussões sobre empoderamento feminino e questões de igualdade no mercado de trabalho, há que se pensar nas seis milhões de brasileiras que sofrem com uma doença silenciosa e tacitamente ignorada pelo sistema de saúde pública do país. Seis milhões. Esse é o número aproximado de mulheres que são afetadas pela endometriose (inflamação aguda no sistema reprodutor feminino) no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Endometriose (SBE). Destas, seiscentas mil desenvolvem a doença no intestino (endometriose intestinal), de acordo com o cirurgião do aparelho digestivo, Univaldo Sagae, um dos coordenadores de um dos principais eventos científicos do país, intitulado Curso de Endometriose Intestinal, que terá sua 3ª edição nos dias 16 e 17 de março de 2018, no Hospital Gênesis de Cascavel.

O objetivo do curso é formar especialistas na área da ginecologia e coloproctologia, aumentando assim o número de profissionais qualificados para o tratamento desta doença complexa e silenciosa. Sagae destaca que o problema continua crescendo no país, principalmente entre as mulheres mais jovens, por falta de informação.

“É uma doença silenciosa que vem causando devastação no organismo feminino. As mulheres acham que sentir uma dor irregular, além da cólica, na menstruação, é normal”, completa Sagae, acrescentando que uma das principais consequências é a infertilidade e alteração do hábito intestinal. Outro dado alarmante, segundo o especialista, é que das 600 mil brasileiras que desenvolvem a endometriose intestinal, apenas 2 mil por ano, são diagnosticadas e conseguem tratar a doença.

O evento científico contará com a participação de renomados especialistas do país, como o ginecologista e cirurgião Cláudio Crispi, do Instituto Crispi de Cirurgias Minimamente Invasivas, do Rio de Janeiro.

O ginecologista Namir Cavalli enfatiza que é difícil falar em prevenção porque não há um consenso médico sobre as causas que levam ao desenvolvimento do problema.

“Por isso, é importante ir ao médico. Evitar a menstruação com o uso de anticoncepcional ajuda a não deixar a doença evoluir, mas em todos os casos a cirurgia é necessária. Muitas vezes, o tumor atinge outros órgãos e é necessário retirar partes do intestino, do ovário e da bexiga, por exemplo”.

“A endometriose é uma doença desafiadora e prevalente’, destaca a cirurgiã DoryaneLima. “Nnossas expectativas para a terceira edição deste curso é uma discussão mais ampla, com estabelecimento de condutas baseado em estudos e experiências compartilhadas entre os participantes. Durante muito tempo essa doença foi subtratada pois não se conseguia entender muito bem o seu mecanismo de surgimento. Estamos trilhando um árduo caminho para entender a doença e acredito que a troca de experiência neste curso faz com que avancemos um degrau a mais em direção ao melhor tratamento para as pacientes afetadas pela endometriose”, finaliza a especialista.

 Sobre a endometriose:

Tratamento – Na endometriose intestinal com sintomas, o tratamento é eminentemente cirúrgico (casos avançados), podendo ser clínico em casos moderados e leves.

Infertilidade – Dados da SBE (Sociedade Brasileira de Endometriose) apontam que entre 10% a 15% das mulheres em idade reprodutiva — de 13 a 45 anos — podem desenvolver a doença e 30% tem chance de ficar estéreis.

Diagnóstico – é feito por meio de exame físico, ultrassonografia endovaginal especializada, exame ginecológico, ressonância magnética nuclear, dosagem de marcadores e outros exames de laboratório.

Fator genético – Filhas e irmãs de pacientes com a doença têm maior risco de desenvolver endometriose. Segundo especialistas, a identificação genética poderia ajudar a entender melhor a doença

Exercícios – médicos dizem que fazer atividades físicas diminui as chances de desenvolver o problema.

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Luiz Carlos da Cruz

Jornalista desde 1998 com reportagens publicadas em grandes jornais do Brasil, como a Folha de S. Paulo e Gazeta do Povo. Teve passagens pelos jornais Gazeta do Paraná, O Paraná e Hoje, onde foi editor-chefe, além do portal CGN e Rádio Independência. Fundador dos jornais Boas Notícias e Boa Noite!

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