Amar-me-ias após os 70?

Luiz Carlos da Cruz

Sou uma daquelas pessoas que nunca se enquadrou no perfil de “homão”, “atraente”, “cobiçado” ou coisa assim. Tenho lá minhas qualidades, mas me preocupo mesmo com os meus defeitos, e tento fugir deles. Nunca tentei definir o amor, mas sempre me interessei pelas definições que poetas, filósofos e pessoas comuns tentaram dar a esse sentimento que sempre me atraiu, mas nunca vi uma definição concreta para tal.

Em 1828 o Dicionário Webster definiu o amor como “um sentimento de forte ligação pessoal, induzido por uma atração compreendente ou por laços de afinidade; uma afeição ardente”. É uma das definições que mais gosto, mas ainda prefiro aquela feita por Paulo de Tarso quando escreveu sua primeira carta ao povo de Corinto: “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”

Quando se fala em amor Eros e se planeja o futuro em cima desse sentimento, que leva muitos a uma crise existencial, é que fica a questão: Seria capaz de amar após os 70 anos?

Os encantos da juventude ou da meia idade já não existirão mais. O brilho dos olhos já não será mais o mesmo. O sorriso não terá tanto vigor. As covinhas do rosto, que dão certo charme, abrirão espaço para rugas ou uma barba branca. São os sinais dos tempos. E então, amar-me-ias após os 70 anos? E o amor seria com a mesma intensidade? Não estou falando de força, de desejos, mas de amor.

O amor sempre será inundado por águas cristalinas, turvas, calmas ou agitadas, mas como disse o sábio Salomão: “as muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo”.

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Luiz Carlos da Cruz

Jornalista desde 1998 com reportagens publicadas em grandes jornais do Brasil, como a Folha de S. Paulo e Gazeta do Povo. Teve passagens pelos jornais Gazeta do Paraná, O Paraná e Hoje, onde foi editor-chefe, além do portal CGN e Rádio Independência. Fundador dos jornais Boas Notícias e Boa Noite!

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