Aesbe repudia Medida Provisória 868 que altera lei de saneamento

Sanepar compartilha posicionamento de que MP incentiva privatização do setor penalizando localidades mais pobres
A aprovação do relatório final da Medida Provisória nº 868, que altera o Marco Legal do Saneamento, pela Comissão Mista do Congresso, representa grande risco à universalização do saneamento no País. Entre os pontos preocupantes, está o da proibição dos municípios de celebração de Contratos de Programa com as empresas estatais. Agora, o relatório vai à votação pela Plenária da Câmara e depois do Senado.

A Sanepar está alinhada com o posicionamento da Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe) que repudiou publicamente o relatório apresentado pelo senador Tasso Jereissati, relator da Comissão Mista. Para acompanhar a votação da Comissão Mista, estiveram nesta semana em Brasília o diretor-presidente da Sanepar, Claudio Stabile, o diretor jurídico, Andrei Rech, e o gerente geral jurídico, Marcus Cavassin.

Na próxima segunda-feira (13), será realizado o Dia Nacional de Mobilização contra a Medida Provisória 868, a MP do Saneamento. A ação, que ocorrerá em várias capitais brasileiras, é articulada pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), com o apoio da Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe), da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), da Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental (FNSA) e da Associação dos Universitários da Sabesp (APU).

Segundo nota divulgada pela Aesbe, a proibição da prorrogação ou assinatura de novos Contratos de Programa representa risco de paralisação de investimentos no setor é iminente. “Os projetos de parcerias com o setor privado, gestados pelo PPI do próprio Governo Federal, serão sustados, visto que as estatais não terão os contratos garantidos após a edição da MP”, destacou Roberto Tavares, presidente da Aesbe e da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa).

Desde a apresentação do relatório, no dia 25 de abril, a Aesbe explica aos parlamentares, de forma clara, que a extinção do Contrato de Programa diminui uma das alternativas de escolha dos prefeitos, que são os titulares do serviço. A maioria das companhias estaduais trabalha com o regime de cooperação, firmando contratação direta com o município, o que dá segurança jurídica e permite parcerias com o setor privado – diz a Aesbe.

O texto aprovado deixa bem claro que não será mais possível firmar novos contratos, nem prorrogar os existentes, condenando as estatais a pararem de investir e sucatear os sistemas, que posteriormente só terão a alternativa de serem privatizados.

“A MP anterior, 844, foi rejeitada pelo Congresso Nacional após a entrada dos governadores no jogo. O setor privado é bem vindo, sem destruir o que existe. Ele precisa vir em parceria com as estatais, nos municípios ricos e pobres, sem fazer distinção. Tudo que o setor não precisa é de mais insegurança jurídica, com a iminente desestruturação das políticas públicas do setor. Vamos lutar até o fim para que a MP seja alterada, para não trazer prejuízos à população”, reforçou Tavares.

A Aesbe prepara documento que vai explicar a todos os governadores como ficará a situação do saneamento nos Estados, principalmente no municípios mais pobres. O material será encaminhado aos chefes do executivo ainda nesta semana.

A Aesbe não se furtará em defender o saneamento brasileiro e promoverá toda a articulação política e jurídica em busca de um saneamento inclusivo e que beneficie a todos os brasileiros, para chegar cada vez mais perto da necessária universalização do serviço.

 

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Luiz Carlos da Cruz

Jornalista desde 1998 com reportagens publicadas em grandes jornais do Brasil, como a Folha de S. Paulo e Gazeta do Povo. Teve passagens pelos jornais Gazeta do Paraná, O Paraná e Hoje, onde foi editor-chefe, além do portal CGN e Rádio Independência. Fundador dos jornais Boas Notícias e Boa Noite!

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