Delegado diz que depoimentos da tragédia na BR-277 não batem: extraordinário ou comum?

Que o acidente da BR-277 que provocou a morte de 8 pessoas e deixou mais de 23 feridas no dia 2 de agosto foi causado pela falta de visibilidade na pista, ninguém discorda. O que não bate é se a neblina forte aliada a fumaça de queimadas foi um fato com uma dimensão extraordinária ou comum. O delegado Fabio Machado, da delegacia de São José dos Pinhais, responsável pelo inquérito, disse em entrevista à Banda B que esta divergência aparece nos depoimentos dos funcionários da Ecovia, concessionária que administra a rodovia, e moradores da região.

“Os funcionários da Ecovia disseram em depoimento que o que ocorreu ali foi um fenômeno extraordinário, com visibilidade muito baixa e que isso nunca havia acontecido antes. Já os moradores e o dono do terreno às margens da rodovia disseram aqui na delegacia que incêndios são frequentes e vinham ocorrendo desde o dia 25 de julho, sempre acompanhados da neblina, confrontando assim o que disseram os funcionários da Ecovia”, relatou Machado.

Após o acidente, a Ecovia passou a fechar o trecho da BR-277, onde houve o acidente, quase todos os dias em razão da falta de visibilidade.

Além dos funcionários da concessionária, moradores e o dono do terreno, o delegado já ouviu  no inquérito o motorista do caminhão que atropelou as vítimas e  alguns sobreviventes da tragédia. Entre eles, o homem que perdeu as duas filhas e o genro.

“Ouvi o depoimento deste pai, muito emocionado, ele disse que estava dirigindo o carro em velocidade muito baixa, em torno dos 40 km/h, e quando menos esperava já tinha batido contra o veículo da frente. Ele disse que não pra ver nada e saiu pra sinalizar a pista, junto com as filhas e o genro. Foi quando olhou e viu o caminhão surgindo no meio da fumaça, a uma distância de cinco metros. Ele pulou para um lado e as filhas e o genro pro lado que o caminhão desviou. Tudo muito repentino”, contou o delegado.

Houve crime?

Para o delegado Machado é prematura concluir se houve culpados.”É prematuro concluir por culpa ou não. Por enquanto, não há indício de crime, mas sim de fatalidade em razão da falta de visibilidade. Ao longo do inquérito vamos apontar se alguém falhou em seu papel de segurança de trânsito ou de monitoramento da rodovia. O que podemos dizer é que estamos trabalhando para que o inquérito aponte com clareza o que aconteceu e e contribua assim para que tragédias como essa não se repitam”.

O delegado ainda deve ouvir outros sobreviventes que estão internados ou se recuperando em casa, além de juntar imagens de câmeras de segurança da região. Sobre o fogo na região, tudo indica que não foi criminoso. “Não foi um incêndio criminoso, já que tudo indica que ocorreu em função da própria seca. Não houve um responsável por alguma queimada”.

O delegado tem até o dia 2 de setembro para concluir o inquérito.

O acidente

O acidente na BR-277 aconteceu no dia 2 de agosto,  na região dos motéis, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, envolvendo 22 veículos causou oito mortes. As colisões aconteceram  por volta das 22h30. Entre os veículos – um caminhão, cinco motocicletas, 15 carros e uma viatura da Polícia Militar (PM). Cerca de dez ambulâncias foram acionadas. Ao todo, foram 23 feridos no local.

O acidente aconteceu no quilômetro 76, na pista sentido São José dos Pinhais. Segundo testemunhas, uma fumaça escura proveniente de queimadas às margens da rodovia teria ocasionado a falta de visibilidade dos motoristas na rodovia. O caminhão envolvido no acidente teria sido o último a colidir contra os carros e motociclistas, arrastando-os pela rodovia.

Foto: Banda B

(Banda B)

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