𝐅𝐢𝐦 𝐝𝐞 𝐚𝐧𝐨 𝐭𝐚𝐦𝐛é𝐦 é 𝐭𝐞𝐦𝐩𝐨 𝐝𝐞 𝐬𝐞 𝐚𝐟𝐚𝐬𝐭𝐚𝐫 𝐝𝐚𝐬 𝐩𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬

Sou daqueles que procuram seguir em paz com todos, conheço muitas pessoas, mas tenho poucos amigos. Para definição de amigo considero aquelas pessoas com quem tenho um relacionamento mais afetivo. Aquela pessoa que você faz questão de enviar uma mensagem de bom dia ou é acordado com uma mensagem semelhante logo pela manhã. Amigo é aquele que dá uma bronca quando vê que você está pisando fora da linha, que te dá um abraço quando percebe que você não está bem e que você tem a mesma preocupação com ele.

Se a recíproca não é verdadeira, se você dá atenção, bom dia, manda mensagens e não recebe o mesmo tratamento, o relacionamento pode ser chamado de qualquer coisa, menos de amizade.

Estamos vivendo mais um fim de ano e, nesta época, há um tal espírito natalino – sempre tive certo receio desse espírito – que une as pessoas, mas não tem poder de mantê-las unidas nos 12 meses do novo ano. As pessoas reconciliam, choram, fazem promessas e colocam a união à frente de tudo. A maioria, creio eu, faz isso de forma verdadeira, outras, nem tanto.

E aí vem aquelas frases clichês. “Natal, é tempo de união”, “tempo de amor”, “tempo de perdão” e tantos outros tempos.

E, de fato, há tempo para tudo debaixo do céu, já dizia o Eclesiastes. O livro sagrado ensina que há tempo de abraçar e tempo de se afastar. Eu, particularmente, decidi fazer do Natal e Ano Novo o tempo de afastamento. É claro que serei criticado por isso, mas, desculpem-me, como disse anteriormente, tenho lá minhas desconfianças com esse espírito de natal.

Cheguei ao fim do ano decidido riscar do meu círculo de convivência pessoas que não convivem comigo. A gente vai pegando certa idade, vai amadurecendo e ficando um pouco, digamos, ranzinza. Então, passamos a selecionar as pessoas que queremos por perto.

Chega um momento em que é preciso aprender a dizer não, principalmente para aquela pessoa que você leva em conta a amizade e o carinho que tem por ela, mas esse “serhumaninho” só te procura quando precisa que você faça algo. Depois, fica uma semana, duas ou três sem falar com você, mas quando decide enviar uma mensagem de “bom dia”, “que saudade”, ou “você está bem?”, a frase vem acompanhada de um “será que você poderia fazer um favor?”.

Não vale a pena manter esse tipo de relacionamento e decidi usar o fim de ano para fazer alguns “cortes” de pessoas que amo verdadeiramente, mas que preciso me afastar. Ah, o verdadeiro amor não exige reciprocidade, não cobra nada em troca. Concordo em gênero, número e grau, mas não é esse o tema em questão. Afastar-se não significa deixar de amar.

Minhas filhas costumam me chamar de “ingênuo” por me preocupar com certas pessoas que não somam e acho que elas têm razão. Por isso, estou fazendo uma reflexão às avessas, bem em época de Natal. Deixarei de dizer alguns “bons dias”, de fazer perguntas como “está tudo bem com você?”, “vamos almoçar juntos?”, “se precisar de mim, me chame”… Natal é tempo de mudança, e eu decidi mudar desta forma. Se vou conseguir ou não já é outra história…

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Luiz Carlos da Cruz

Jornalista desde 1998 com reportagens publicadas em grandes jornais do Brasil, como a Folha de S. Paulo e Gazeta do Povo. Teve passagens pelos jornais Gazeta do Paraná, O Paraná e Hoje, onde foi editor-chefe, além do portal CGN e Rádio Independência. Fundador dos jornais Boas Notícias e Boa Noite!

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