Kit Covid: Prescrição precoce sugere efeito positivo em Cascavel

Por Thiago Daross Stefanello

No início de abril a Secretaria Municipal da Saúde de Cascavel editou a norma operacional n. 109/2020 com orientações sobre a prescrição da hidroxicloroquina/ cloroquina, seguindo as orientações do Ministério da Saúde, que naquele momento estavam voltadas ao uso nos casos de pacientes moderados e graves. Ainda no mesmo mês, a norma teve uma atualização com mais informações sobre as indicações, as contraindicações, exames diagnósticos e associação de outros fármacos.

Já na primeira semana de julho, a Secretaria Municipal da Saúde atualizou a norma operacional, incluindo como sugestão, a prescrição precoce da ivermectina, azitromicina e hidroxicloroquina/ cloroquina para pacientes suspeitos ou confirmados para COVID-19. Mesmo diante de tantas incertezas, de discussões um tanto quanto politizadas, e a falta de estudos randomizados, considerados padrão ouro para a implantação de protocolos, mas, existindo estudos “in vitro” e observacionais, além da opinião de diversos especialistas sobre a utilização de tais fármacos no tratamento precoce da covid-19, e após reuniões com um grupo de médicos da cidade de Cascavel, a Secretaria de Saúde fortaleceu a disponibilidade de tais medicamentos que integram os popularmente conhecidos kits-covid.

Sempre preservando e garantindo a autonomia do Médico e só disponibilizando os medicamentos após avaliação e prescrição deste profissional, observou-se que, após a atualização da norma no início de julho, houve um significativo aumento nas prescrições de forma precoce.

Coincidência ou não, é a partir da semana epidemiológica n. 27, ou seja, a primeira semana de julho, que os casos confirmados em Cascavel passaram a diminuir. E nas semanas seguintes, os casos positivos se mantiveram em queda considerável, reduzindo a taxa de positividade que já chegou a 64% para 16% na última semana.

Analisando as prescrições dispensadas pela rede de saúde pública de Cascavel, a Ivermectina teve um salto de 138% a mais nas prescrições durante o mês de julho quando comparadas a junho.

Já a Hidroxicloroquina, teve aumento ainda mais expressivo, tendo um crescimento de 227% a mais no número de prescrições durante o mês de julho quando comparadas a junho.

A Azitromicina que já vinha sendo prescrita de forma mais comum em junho, teve uma redução de 6% em julho, o que sugere que vinha sendo utilizada provavelmente sem a associação dos demais medicamentos, passando em julho a ser prescrita quase que na mesma proporção de junho, mas agora de forma associada aos outros medicamentos.

Ainda, chama muito a atenção o fato de que a partir da atualização da norma (06/07) com a sugestão de uso precoce dos medicamentos, o número de pacientes confirmados ou suspeitos para COVID-19 internados em Unidade de Terapia Intensiva – UTI estabilizou, não

havendo um crescimento exponencial nos meses anteriores, o que pode sugerir que o fato do aumento da prescrição precoce contribui para evitar o agravamento de casos de novos pacientes suspeitos e/ou confirmados para COVID-19.

É fato concreto que as medidas de distanciamento foram e são fundamentais no combate a pandemia, e são ainda a forma mais eficiente de enfrentamento, associadas as outras medidas preventivas como a etiqueta respiratória, o uso de álcool gel e máscaras, além é claro, de maior cuidado e preservação dos grupos de risco. Mas não podemos deixar de notar que ouve, somadas as medidas restritivas por meio de decretos municipais e Estadual, da maior conscientização da população, e das orientações dos meios de imprensa, um efeito positivo sobre a diminuição dos casos positivos e/ou do não agravamento dos pacientes a partir do aumento considerável da prescrição da ivermectina, da azitromicina e da hidroxicloroquina, de forma mais precoce.

 

Thiago Daross Stefanello é secretário municipal de Saúde em Cascavel

Luiz Carlos da Cruz

Jornalista desde 1998 com reportagens publicadas em grandes jornais do Brasil, como a Folha de S. Paulo e Gazeta do Povo. Teve passagens pelos jornais Gazeta do Paraná, O Paraná e Hoje, onde foi editor-chefe, além do portal CGN e Rádio Independência. Fundador dos jornais Boas Notícias e Boa Noite!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Próxima Notícia

Mega-Sena acumulada pode pagar R$ 23 milhões neste sábado

sáb ago 1 , 2020
O concurso número 2.285 será realizado às 20h, em São Paulo A Mega-Sena volta a ser sorteada neste sábado (31) e promete o prêmio de R$ 23 milhões para quem acertar as seis dezenas do concurso 2285.