Complexo de Simba

Por Bruna Müetzemberg

 Contemporâneos aos anos 90 certamente se lembram do príncipe Simba, que estrelou o sucesso infantil da Disney “O Rei Leão”, no qual o pequeno herdeiro do trono tinha a ansiedade e o egoísmo típicos das crianças: queria se tornar  Rei para então ter o privilégio de fazer o que quisesse.

O mundo real guarda mais semelhanças com a fantasia do que supõe a nossa vã filosofia…

Que muitos governantes se utilizam de suas posições políticas para sanar seus anseios particulares e caprichos mais frívolos não é novidade e nem tampouco raro. Ampliando o foco a nível mundial, e fixando nosso alvo diretamente na Casa Branca, pode-se verificar que práticas vergonhosas não são exclusividade de políticos brasileiros.

Donald Trump, semana passada,  tomou a questionável decisão de retirar os EUA do Acordo de Paris, o qual consiste basicamente em um pacto entre a maior parte dos países a fim de reduzir a emissão dos gases que provocam o efeito estufa, bem como a tomada de outras medidas que garantam a estabilidade do clima global.

Olvidando dos prognósticos científicos acerca das mudanças climáticas, para Trump, o mais importante é deixar os EUA em primeiro lugar no ranking da economia, a lógica egoísta e suicida do Republicano sugere que o importante é chegar em primeiro mesmo que isto custe… o planeta!

Tal qual uma criança que numa corrida entre os amigos de rua só é feliz se chegar em primeiro, mesmo que tenha que colocar o pé para o lado para derrubar os oponentes, parece ser a estarrecedora lógica de um dos homens mais poderosos do mundo.

Ele quer Poder, e quer sozinho. Numa combinação esdrúxula de capricho, destempero e egoísmo, seu nome é contemplado, cotidianamente, por seguidos episódios que causam estranheza, e variam entre aperto de mão negado a chanceler da Alemanha, segredos de governo compartilhados com países historicamente inimigos e até empurrõezinhos para aparecer em primeiro plano na foto, afinal: “os Estados Unidos primeiro!”.

Ainda pelos corriqueiros e questionáveis episódios acima mencionados e pelo hábito que Trump tem em responder questões nada republicanas nas redes sociais, é quase possível visualizá-lo cantando a música de Simba no filme: “… olhe para a esquerda… olhe para a direita… pra que lado olhe, eu estou em foco!” (não é coincidência que a música se chama “O que eu quero mais é ser Rei”).

A não ser que não estejamos acompanhando o brilhantismo deste senhor, ele parece basear suas decisões única exclusivamente na sua vontade, o que pode sugerir um desejo profundo, porém frustrado, de ser Rei! Como por azar ele nasceu em uma República, sobrou mesmo foi angariar a presidência, a fim de ter um País para chamar de seu.

No filme o sábio pai de Simba, o Rei Mufasa, percebe o equivocado entendimento do filho sobre as responsabilidades que pesam sobre um Rei, e lança a ele a preciso lição: “ … há muito mais que um rei tem que fazer além de sua vontade. Tudo o que você vê faz parte de um delicado equilíbrio. E como Rei você tem que entender esse equilíbrio e respeitar todos os animais, desde a formiguinha, até o maior dos antílopes (…) estamos todos ligados no grande ciclo da vida.”.

Portanto, para quem estiver aberto, até de uma história infantil pode-se extrair valores importantes, como o de respeito ao meio ambiente, bem como aos demais seres (humanos ou não), já que não podemos esquecer que fazemos parte desse meio ambiente e  dependemos de seu equilíbrio para garantir a nossa  existência.

E para os simpatizantes das teorias da conspiração, que acreditam na corrente de que toda essa história de aquecimento global não passa apenas de uma farsa científica, fica o apelo do novel Presidente francês: “Não há plano ‘B’, porque não tem planeta ‘B’”, por essa lógica é melhor prevenir do que arriscar.

Infelizmente, como os gases do efeito estufa e suas consequências não ficam adstritos a qualquer fronteira, assim como as taxas cambiais que influenciam nos preços dos produtos de todo o mundo, não basta apenas nos preocuparmos com os políticos daqui, o que o “Mister Trump” faz nos diz respeito, e muito!

Mas claro que comparar Donald Trump (ou qualquer político) ao Simba beira um absurdo, afinal o Simba é um personagem muito querido, que pensa como a criança que é, já o Presidente americano, receio que não tenha mais tanto tempo para amadurecer a sua visão de mundo. Por isso: vida breve ao Rei, e um despertar rápido ao governante!

Bruna Müetzemberg é advogada em Cascavel e pós-graduada em Direito Previdenciário

 

Luiz Carlos da Cruz

Jornalista DRT 4661-PR
(45) 3038-3575
(45) 9 9997-8994

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