Comerciantes que vendiam vinho falso com etanol a R$ 10 garantem que não sabiam da adulteração

Apreensões ocorreram em pequenos comércios de Curitiba localizados nos bairros Centro, Cajuru e Umbará.

O vinho com gosto estranho chamou a atenção de diversos consumidores de Curitiba. Após alguns passarem mal, denúncias foram feitas ao Ministério da Agricultura. A Polícia Civil do Paraná (PCPR) foi acionada e, com apoio do laboratório de química da Universidade Federal do Paraná, o motivo da desconfiança foi esclarecido: tratava-se de vinho diluído com etanol combustível, aquele vendido em postos. Na composição também estavam ácido cítrico, corante e estabilizantes.

Vinhos falsificados no alto da prateleira – Foto: PCPR

Com base no laudo, a polícia autuou seis comerciantes por venda de falso vinho feito com etanol. Todos pequenos comércios de Curitiba localizados nos bairros Centro, Cajuru e Umbará.

O delegado Pedro Filipe de Andrade, do 1º Distrito Delegacia do Consumidor, disse que o objetivo agora é descobrir os fabricantes. “Os comerciantes disseram que não sabiam que estavam vendendo o produto adulterado, mas estamos investigando a participação deles. Nosso objetivo também é chegar nos fabricantes. Todas as informações nos rótulos eram falsas, mas recebemos já algumas informações dos comerciantes para localizarmos a origem desta adulteração”, disse o delegado.

A operação foi deflagrada entre domingo (9) e quarta-feira (12)  e contou com apoio do Ministério da Agricultura, da Universidade Federal do Paraná e da Vigilância Sanitária. “Chegou pra gente a partir de uma notícia do Ministério da Agricultura que eles estariam recebendo denúncias anônimas dizendo que alguns estabelecimentos de Curitiba estavam vendendo esse vinho falsificado. Nós pegamos uma amostra e submetemos a uma análise do Serviço de Farmácia da Universidade Federal do Paraná que realmente confirmou que era uma bebida adulterada imitando um vinho, que poderia ser prejudicial ao consumidor que consumisse aquela bebida”, afirmou Andrade.

Durante a operação diversas garrafas do suposto vinho foram apreendidas. No rótulo aparecia o nome “Vinho Colonial”. Cada garrafa era vendida a R$ 10,00. A bebida tinha rótulo com selos de órgãos de governo e até de registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica. Mas, de acordo com as investigações todas as informações eram falsas.

Quatro homens e duas mulheres foram autuados por venda de bebida adulterada. Todos alegaram desconhecer a falsificação e adulteração do produto. Os suspeitos assinaram Termo Circunstanciado e foram liberados.

Um comerciante ainda foi autuado em flagrante por vender produto termogênico de venda ilegal no Brasil. Ele pagou fiança no valor de três salários mínimos e responderá em liberdade.

Um inquérito foi instaurado para apurar quem são os responsáveis pela fabricação e distribuição do produto. Há indícios de que a bebida seja vendida em outros estados brasileiros.

Processo

A coordenadora da Vigilância Sanitária em Curitiba, Francielle Narloch, falou sobre os próximos passos.  “A partir do momento que foi verificado problemas sanitários com os produtos, foi lavrado um auto de infração para o estabelecimento, houve apreensão dos produtos e a partir de agora temos a instauração de um processo administrativo sanitário, que será julgado e a penalidade pode variar de advertência a multa para o estabelecimento”, afirmou.

O auditor do Ministério da Agricultura, Cézar Pian, contou que mercadorias não registradas no Ministério podem conter substâncias proibidas.  “O produto para ser colocado no comércio precisa passar por um registro perante o Ministério da Agricultura. O produto que não passa pelo registro não é acompanhado pela fiscalização. Eventualmente, pode conter substâncias proibidas”, disse o auditor.

Os nomes dos estabelecimentos que vendiam os falsos vinhos não foram divulgados.

(Banda B)

Ana Luiza Bonatto da Cruz

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